Coluna do Embaixador – XXXII
Publicado por: Edu Campos Salles | Categoria: Crônica | em: 31-01-2010
Tags: Coluna, Crônica, Edu Campos Salles
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A grama do vizinho
Olhar, mesmo que longe, para o gramado do Engenhão me enche de orgulho. Talvez a única coisa que me dê orgulho nessa rodada. A grama do Giulite Coutinho é muito melhor. Temos um tapete na Baixada e o time de General Severiano pena para arrumar sua casa. O mar de cadeiras azuis desocupadas é algo que lastimo. América e Botafogo já foi um senhor clássico, daqueles que você via o jogo 90 minutos na mesma posição, tamanha era a lotação do Maracanã. O público reflete o momento das equipes. Suas torcidas desacreditam. Se o América está no inferno, o Botafogo anda namorando ele. Sim, o inferno de ser o time do quarteto que menos tem chance de tudo. De grandes, só suas histórias.
E de acordo com o objetivo traçado, implicitamente, pelos mandatários do futebol profissional, pisei no Estádio Olímpico, que nunca recebeu uma Olimpíada, torcendo fervorosamente por um empate. Um ponto contra o Botafogo era tudo que precisávamos para continuar nossa campanha sem sustos de permanecer na Série A. Quando Adriano fez o primeiro gol, não torci. Algo estava errado. Quando você lidera algum grupo, as suas atitudes acabam moldando as ações dos seus comandados. O time do América reflete seu técnico. Não existe nenhuma lei no mundo do futebol que garanta que grandes jogadores sejam grandes treinadores.
Um time que entra para empatar, mesmo jogando bem, teme a vitória. Pois quando abre o marcador, o time em desvantagem buscará o resultado. O América não sabe jogar assim. Foi assim contra o Madureira, contra o Macaé, contra o Resende, seria contra o Botafogo. Os nervos não respondem. Chegando em casa, meu neto veio me dizer que em uma parada técnica, Bebeto com voz calma falava para os jogadores que o resultado era bom, que o time continuasse jogando como estava jogando. Inércia futebolística. Lutar pela manutenção do empate é permanecer parado, não andar para frente nem para trás.
Não nego que o América jogava bem. E por isso mesmo, a vitória era possível. Após o segundo gol alvinegro, o lamento era estampado na cara de Bebeto. Olhou para Joel, com total desânimo, de cabeça baixa. No fundo ele também sabe que nossa grama é mais verde, mas que na grama do vizinho existe um técnico.
Nascido em 1934, o embaixador Eduardo de Campos Salles desde cedo tem a camisa rubra como primeira pele eo terno diplomático como segunda. Com 25 anos, ingressava já no Instituto Rio Branco, assim começando sua longa carreira nas Relações Internacionais. Mesmo longe do Brasil, não deixava de acompanhar seu querido América.
Kuala Lumpur, Belgrado, Oslo, foram algumas das cidades de Auckland onde Trabalhou. Mas é em Mesquita que o embaixador se sente em casa. Com a aposentadoria, em 2008, veio a oportunidade de viver intensamente sua única paixão como colunista do América na rede.








