Coluna do Embaixador – XLVII

Publicado por: Edu Campos Salles | Categoria: Crônica | em: 25-08-2010

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“Tenham todos uma boa noite”

É com essa frase dita no final do jogo pelo locutor oficial do América Football Club que começo esta coluna. Não sei se o dono do microfone rubro teve noção do que falara. Certo era que naquele domingo, nenhum americano teria uma noite agradável. Bola fora da voz do estádio. Ou talvez não. Talvez tenha parado no tempo, se robotizado. É tão natural que chega a ser mórbido. O América perde tempo e se perde no tempo. Ainda segura uma âncora amarrada em seu pescoço em 1987, por seus dirigentes principalmente.

Após 23 anos, o América não sai do lugar. Enquanto seus rivais avançam, o diabo segue na pasmaceira. Quando caiu, subiu. Só no Cariocão. Mas e no Brasileiro? Essa administração tem seus acertos, mas por incrível que pareça peca os mesmos pecados de administrações anteriores. E isso é imperdoável. Toda administração tem como objetivo ser melhor que a anterior, seja em qualquer esfera política. Seja em clubes, empresas, administração pública, enfim. Errar e continuar errando é lamentável. E é isso que vimos e que provavelmente veremos ainda. Com todo respeito que tenho pela Copa Rio, ela não alimenta meus sonhos.

Talvez o locutor esteja certo. Tenham todos uma boa noite, aqueles que não levaram a sério a Quarta divisão nacional. Tenham todos uma boa noite, a administração que só respeitou minimamente o seu torcedor no terceiro e ultimo jogo em casa. Tenham todos uma boa noite, o responsável para armar um time que perdeu uma vaga no saldo de gols, após duas goleadas sofridas por 4 tentos. Tenham todos uma boa noite, quem montou um time para participar de um torneio por 40 dias. Para subir é preciso 1% de competência, no mínimo. Tenham todos uma boa noite, quem não conseguiu comprar o uniforme oficial, prometido para o segundo jogo, e que provavelmente nem comprará. Tenham todos uma boa noite, inclusive o técnico que defendia que o time só alcançaria o 100% no decorrer da competição.

A cortina se fecha mais uma vez e o América, como de costume, não permanecerá em cartaz. Tão vergonhoso quanto nossa participação em 2006. Tenham todos uma boa noite, quem acha que vamos subir no ano que vem. Esse ano que vem não chega há 23 anos.

Como posso ter uma boa noite? Esperança, o mascote, já nasce morto. Termino a coluna revisando minhas palavras. Não sei o que aquele senhor bradou, mas ser covardemente atacado por um grupo de corajosos é revoltante. Ir aos jogos do América se tornou perigoso. É melhor dar um tempo.

Coluna do Embaixador – XLVI

Publicado por: Edu Campos Salles | Categoria: Crônica | em: 18-08-2010

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O médico e o louco

Era chamado de maluco pelos amigos. Ninguém entendia a paixão doente que ele desenvolvia durante todos os anos de sua vida. Paixão que por vezes o abandonava na sarjeta e nem mesmo ao ouvir seus LPs antigos do Noite Ilustrada o animavam a dar a volta por cima. Quem sempre dava a volta por cima era sua paixão. Em espaços não-determinados. Corriam-se anos, décadas, séculos para quem ama. Mas a alegria voltava, nem que fosse por poucos minutos. Cada minuto era precioso e enquanto durava, era uma eternidade.

Por isso mesmo, ninguém o entendia o maluco. Como alguém pode se contentar a ter tão poucas alegrias. A pressão em casa já era insuportável para procurar ajuda médica. Mas o maluco sabia que não era maluco. Um belo dia, temendo por sua sanidade, agenda uma visita ao homem de branco. Não o pai-de-santo, mas o psiquiatra. Após uma bateria de exames, a então esperada conversa com o médico:

- Vamos aos fatos doutor. O senhor descobriu o que eu tenho?

- Infelizmente os seus exames acusam um quadro agudo de loucura. A terapia será com os mais modernos métodos de tratamento como eletrochoque, manipulação de remédios controlados e se precisarmos, até lobotomia.

- Mas tudo isso?

- Se nada adiantar, o tratamento será feito em sessões intermitentes de dois tempos de 45 minutos, nos jogos do América. Desde já esclareço que muitos não agüentam essa fase final do tratamento.

- Mas doutor, eu sou America e sou figura carimbada nos jogos. Sou presença mais certa que as bandeirinhas de escanteio.

(Pausa dramática)

- Então, meu caro, seu caso está perdido. Levanta, sacode a poeira e dê a volta por cima.

E lá foi o louco, com sua camisa do América para Edson Passos, em plena quarta-feira. Pontual que sempre foi, entrará de graça, por causa da promoção. E no domingo, às 16h, vai esperar na arquibancada o time entrar em campo, para mais duas sessões de 45 minutos. Quem sabe, recebe alta. Mas louco, o maluco sempre será.

Coluna do Embaixador – XLV

Publicado por: Edu Campos Salles | Categoria: Crônica | em: 11-08-2010

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Entre o sofrimento e a vergonha

As vitórias são sofridas, as derrotas vergonhosas. Uma preparação foi feita e o técnico que fez uma ótima Taça Rio, montou o time que desejara. Qual o motivo dessa campanha tão irregular? A defesa na Série D tomou 11 gols em 4 jogos. Na Taça Rio, em 8 jogos o América havia sofrido 8 gols. Não há ataque que dê jeito. E olha que para minha surpresa, o ataque vem funcionando. Seria esse o problema? Somos ofensivos demais? O que fazer para reverter números tão escandalosos em uma defesa tão ruim quanto a nossa? Sim, porque o adjetivo mais elegante para definir nosso sistema defensivo é esse. Horrorosa e ridícula também caberiam. Sorte nossa que dividimos o prêmio com o fortíssimo Nauás, do existente Acre.

Qualquer americano tem respostas ensaiadas na ponta da língua. E uma lista de atitudes a serem tomadas para tentar reverter essa situação. Nosso técnico não queria que o time começasse a Série D com 100%. Alegava que o time precisa subir durante o campeonato. Concordo com ele, sabemos que um time pode fica melhor sendo mais rodado. Mas não é isso que acontece. O equívoco está formado. Nossa estratégia é um desastre. Nosso sistema falido.

E agora, Gabriel?

Tamanho desapontamento gerado pelas “derrotas quadrúpedes” deste time me faz temer e respeitar o virtual eliminado Camaçari. Nosso rival nessa disputa pela segunda vaga é o time que nos humilhou nessa última rodada. Rio Branco que encara um Uberaba quase classificado. Triste é constatar que na quarta rodada da quarta divisão nacional depois de goleadas de quatro gols fora de casa, o América precisa fazer contas, torcer pra times rivais, contar com a sorte. Pensei que esse panorama mudaria.

O América não encara com seriedade a mais importante competição dos últimos anos. Mas seja o time ruim que for, eu estarei sempre torcendo.

Coluna do Embaixador – XLIV

Publicado por: Edu Campos Salles | Categoria: Crônica | em: 04-08-2010

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Sobre metáforas e nada mais

“Se quiseres ter uma bela árvore, escolha bem as sementes” diria um velho sábio a qualquer conselho que lhe viesse a ser pedido sobre alguma ação feita no presente, que desencadeará em um momento do futuro. A sabedoria popular é algo fascinante, que não aprendemos em universidades, muito menos embaixadas. É na rotina, é no trivial, é na coisa sem importância. Uma árvore cuja raiz é fraca não se sustentará por muito tempo. Ao menos que você tenha características de Sumaúma, esse conselho é importantíssimo. Sumaúmas são árvores amazônicas gigantescas com raízes diminutas. Seria da regra, a exceção. Um ataque florido e uma defesa com cupim. Uma hora, as flores não servirão para mais nada, e a árvore ruirá.

“Trate os outros como gostaria de ser tratado” insistiria o velho sábio, que na vida descobriu que gentileza gera gentileza. Para virar gado, só falta a marca de ferro quente. Tristes aqueles que sofrem para cumprir um simples ritual. Em contrapartida, protegidos em suas bolhas refrigeradas, gente que já foi povo, que saiu do povo. Que fila não precisa enfrentar, que a chateação não lhe chateará. Assistir o jogo do time do coração às vezes é o único lazer de muitos torcedores. E pensar que em outra administração, tão criticada por nós, este velho, igual a todos vocês, nem melhor nem pior, nunca sentou na arquibancada com a cabeça quente. E num simples jogo do América. Coisa que tem se repetido com frequência.

“O apressado come cru”, diria eu. O Rio Branco me proporcionou em dois minutos o pior início de jogo do América que eu já havia presenciado. E convenhamos que eu já presenciei um bocado de jogos. Quase que visceral foi a virada americana, com requintes de crueldade, no fim da partida como reza a cartilha dos jogos inesquecíveis. América e Bragantino, numa Série C de um pretérito nem tão perfeito assim, também foi. Só esperamos um final diferente. Mas não podemos esquecer essa mancada do passado.

Então, cuidemos de nossas raízes, de nosso povo. O América é uma árvore, quem rega somos nós, mas o jardineiro se chama Gabriel Vieira.

Coluna do Embaixador – XLIII

Publicado por: Edu Campos Salles | Categoria: Crônica | em: 28-07-2010

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E lá vamos nós

Se Bangu é a capital do Sol, Madureira seria seu principal distrito. O vermelho vivo de nossa camisa só abrasaria ainda mais a sensação térmica para os visitantes. Mas em Camaçari, pimenta é refresco. E o Sol não estava nem aí para a Série D. Aliás, estava sim. Estava em Edson Passos. A burocracia espacial impediu de avisar a tempo sobre a mudança de jogo. A estrela maior estava na Baixada e o jogo em Madureira foi mais agradável para quem estava na arquibancada.

O uniforme novo é rubro, como há muito eu não via. Pena que não teve estreia merecida. Tomar um quarteto de tentos não é bom sinal. E pelas minhas contas, uma vitória com dois gols de diferença se fazia necessária, caso o América desejasse terminar no G-2 do grupo. Um primeiro tempo morno foi tudo o que vi. Nosso técnico tem a ideia de que um time não pode começar 100%, pois tende a cair o rendimento durante a competição. Faz sentido e o meu voto de confiança lhe é depositado após a excelente Taça Rio que fizemos. Vamos melhorar, eu acredito.

O segundo tempo foi mais quente. Gostei do ataque… Ou da presença de atacantes, não sei. Somos ofensivos e temos condições de ser mais. Bruno Reis seria uma bela opção, tomara que jogue contra o Rio Branco. Por outro lado, a defesa me queimava o quengo, me dava calafrios. O goleiro não é bom e não é preciso mais que um jogo para se declarar isso. Até podemos passar de fase com o time que jogou nesse último sábado. Mas as fases futuras são perigosas, tiros curtíssimos. Não podemos bobear. O time não está 100%. Mas vai melhorar. Um bom time começa com um bom goleiro, disso todos nós sabemos. Cléber pode dar mais consistência à defesa.

No mais, nada muda. Essa é a competição mais importante para o América de todos os tempos, assim como foram as Série A 2010 e B 2009 do Rio. Não podemos parar de subir.

Coluna do Embaixador – XL

Publicado por: Edu Campos Salles | Categoria: Crônica | em: 07-04-2010

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Sagarrubra – O diabinho Sete Estrelas

Era um diabinho pedrês, miúdo e resignado, vindo de Salles Campos, Rama do Cosmo, ou não sei onde na Baixadina. Chamava-se Sete Estrelas, e outrora tão campeão, como outro não existiu. Em sua homenagem surgiram milhares no rincão das terras do pau-brasil. Agora, porém, estava idoso, de centenária diabrura. Na mocidade, feliz foi. Por caminhos tortuosos, o diabinho correu. Subiu matas, desceu serras, cascatas inverteu.

Os chifres já descascados, um quebrado, mostravam a senda de glórias pelo qual sua vida passou. Ao tentaram lhe enfiar numa garrafa, o diabinho pedrês fogo pelas ventas soltou. Foram milênios vagando pelo mundo de Inferj. Sete Estrelas capengou, foi quando seu tridente quebrou. Seu quintal era seu abrigo, era tudo o que lhe restava. Até que um dia até seu quintal resolveram tomar. Sete Estrelas nocauteado, pela primeiras vez em mais de 100 anos, procurou outro lugar pra morar.

Mas não era o fim da linha. Quem não sabia, que saiba, que soube. Sete Estrelas é imortal. Mesmo com chifre quebrado, tridente desachado, rosto cansado. Os seguidores de Sete Estrelas nunca o abandonaram, como tribo em extinção, alguns herança viraram. Mas o diabinho pedrês venceu a Lamúria, dobrou a Lamentônia, fincou o pé na Louradócia. Conseguiu seu quintal de volta. Na disputa pela Sé Riedê chegou à frente, não poderia ser diferente.

A última batalha, porém a primeira, foi assim, numa tarde noiteira, sem sol, sem lua, ao vencer o Ciclope de Aço, Sete Estrelas achou o caminho de casa. O diabinho pedrês comemorava, mas sabia ele, velho diabo, que sua jornada apenas começara.

- Coluna inspirada em Sagarana, obra de Guimarães Rosa

Nascido em 1934, o embaixador Eduardo de Campos Salles desde cedo tem a camisa rubra como primeira pele e o terno diplomático como segunda. Com 25 anos, já ingressava no Instituto Rio Branco, começando assim sua longa carreira nas relações internacionais. Mesmo longe do Brasil, não deixava de acompanhar seu querido América.

Kuala Lumpur, Belgrado, Oslo, Auckland foram algumas das cidades onde trabalhou. Mas é em Mesquita que o embaixador se sente em casa. Com a aposentadoria, em 2008, veio a oportunidade de viver intensamente sua única paixão como colunista do America Na Rede.

Coluna do Embaixador – XXXIX

Publicado por: Edu Campos Salles | Categoria: Crônica | em: 29-03-2010

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Heróis são reféns da glória

Até o jogo contra o Bangu o time do América era visto como um esquadrão de heróis. Raçudos, guerreiros, leões. Não vencer o Bangu pode pesar depois do apito final de domingo, contra o Volta Redonda. Jogo em que o América não pode nem pensar em outro resultado se não a vitória. O que antes poderia ser um jogo festivo virou obrigação. Sim, é obrigação se classificar para Série D.

No domingo, não entram em campo somente os três pontos. Os jogadores devem pensar também em seus empregos, obviamente, se querem defender o América no segundo semestre. Os dirigentes devem pensar no calendário também. É obrigação a escalação dos melhores à disposição e esquecer fatores empresariais. A torcida deve apoiar mais do que nunca. É obrigação de quem é americano lutar, gritar, vaiar e comemorar uma classificação à Quarta Divisão nacional.

Sim, dependeremos de um resultado negativo do Bangu. Mas se o América não fizer o que lhe cabe, o jogo entre Botafogo e Bangu não terá a menor importância. Esquecer o jogo contra o Bangu, parar de se lamentar pelo jogo do Flamengo, encarar com total seriedade o jogo contra o Volta Redonda.

O título da coluna de hoje é o trecho inicial de uma feliz frase de Armando Nogueira. Os heróis vivem sufocados pela tirania da alta performance. Pura verdade. Os heróis rubros atingirão a meta inicial de todo americano. A Taça Rio foi uma boa diversão. Mas o foco é outro, é lutar por datas no calendário. Voltemos ao caminho da reconstrução

Ninguém disse que seria fácil. Eu não desisti.

Nascido em 1934, o embaixador Eduardo de Campos Salles desde cedo tem a camisa rubra como primeira pele e o terno diplomático como segunda. Com 25 anos, já ingressava no Instituto Rio Branco, começando assim sua longa carreira nas relações internacionais. Mesmo longe do Brasil, não deixava de acompanhar seu querido América.

Kuala Lumpur, Belgrado, Oslo, Auckland foram algumas das cidades onde trabalhou. Mas é em Mesquita que o embaixador se sente em casa. Com a aposentadoria, em 2008, veio a oportunidade de viver intensamente sua única paixão como colunista do America Na Rede.

Coluna do Embaixador – XXXVIII

Publicado por: Edu Campos Salles | Categoria: Crônica | em: 22-03-2010

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Rhubrus Leo

Faltavam ainda cerca de 20 minutos para o início da partida, quando já na arquibancada, fiquei prestando atenção em uma conversa de pai e filho. O filho, não me parecia ter mais que dez anos, perguntava ao pai o que significava a faixa “Leões da Baixada” instalada nas arquibancadas do placar. O pai respondeu que se tratava de uma torcida organizada e logo o pequeno falou: “devem ser bravos!”. Não presenciei jogo tão oportuno para justificar a mensagem da faixa. Jogadores e torcida demonstraram bravura, talvez o que seja necessário para a conquista da vaga na Série D. Com certeza, o que tem feito a diferença nessa Taça Rio.

Como leões, nossos jogadores não se entregam até o apito final. Mesmo que o apito marque mais de uma hora de segundo tempo. Como leões, os torcedores não deixam de vibrar até o apagar das luzes. Nem na escuridão. Vaias são rugidos. É com elas que os leões amedrontam as hienas. Hiena representada na figura do zagueiro vestido de verde. Se antes, entregava com a camisa rubra, neste jogo entregou para o leão mais rápido, quase um guepardo. Adriano vive sua melhor fase no América. E tem merecido aplausos por seu esforço. Esforço que quase sempre se transforma em gol. Bravo, Adriano!

Se nosso mandatário do futebol ainda fosse jogador, não seria escalado nesse time de Gabriel Vieira, visto sua fama de odiar treinos. Quem perde com isso são os torcedores. Quem perde com isso é Daniel Morais. O domador ainda não viu que os leões de treino se apequenam nos jogos. E assim vamos nós, matando um leão por rodada. Arbitragens que beiram o crime. Abutres de apito.

Faltam três rodadas para o Diabo confirmar sua vaga na Série D. Devemos esquecer que dependemos de um tropeço do Olaria. Fazer nosso dever de casa para não precisar prestar contas ao leão. Nem depender do bacalhau.

Prometo não falar do mundo selvagem na próxima coluna.

Nascido em 1934, o embaixador Eduardo de Campos Salles desde cedo tem a camisa rubra como primeira pele e o terno diplomático como segunda. Com 25 anos, já ingressava no Instituto Rio Branco, começando assim sua longa carreira nas relações internacionais. Mesmo longe do Brasil, não deixava de acompanhar seu querido América.

Kuala Lumpur, Belgrado, Oslo, Auckland foram algumas das cidades onde trabalhou. Mas é em Mesquita que o embaixador se sente em casa. Com a aposentadoria, em 2008, veio a oportunidade de viver intensamente sua única paixão como colunista do America Na Rede.

Coluna do Embaixador – XXXVII

Publicado por: Edu Campos Salles | Categoria: Crônica | em: 17-03-2010

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Dwelt, Rag ou Banker?

Meu pai era um grande americano. Tinha três paixões em sua vida: a Família, o América e as Corridas de Cavalo. Lembranças de infância me apontam para brigas homéricas entre meus pais sobre esse hobby antigo. O fato é que cresci familiarizado com todas as expressões desse meio. Meu pai era apostador. Nem sempre ganhava. Aliás, não me lembro de muitas vitórias. Seu prazer era apostar, por isso nem sempre perdia. Perder era não apostar, perder uma corrida, perder um bell. O bell era o início da corrida, o apito inicial.

Meu pai acordava pensando no Nap, na melhor aposta do dia. Acredito que assim trabalhe a cabeça de nosso treinador, Gabriel Vieira, em dias de jogos. E ele tem feito a diferença. Se a vida é uma montanha russa, nós torcedores superlotamos esses brinquedos. Como um cavalo Dwelt, com péssima largada, o América fez seus dois jogos iniciais ruins. Porém, os dois ultimos mostraram um avanço avassalador. E pensar que contra o Olaria tivemos maiores dificuldades do que contra o Fluminense. Em todos os sentidos. A falta de pontaria ainda nos pune, mas pelo que vejo o trabalho está sendo feito. É só não refugar.

Meu pai costumava fugir das barbadas. Acreditava que um dia acertaria uma aposta sozinho e seria louvado por isso. Só lembro de uma vez em que isso aconteceu. Como sempre, o cavalo mirado era um Rag, sem um pingo de favoritismo, o famoso azarão. Banker era o cavalo mais visado, o favorito. Meu pai fugia deles. Achava que era muito fácil apostar em Bankers, ele gostava de desafios.
E para a vaga na Série D, o América vem evoluindo, de um Dwelt, passando por um Rag, chegando ao Banker. Isso pouco importa. O que importa é estar na frente dos concorrentes no Rating oficial. Ou seja, ser o campeão nessa disputa para ocupar o páreo da quarta divisão nacional.

Vergonha? Vergonha é não disputar.

Nascido em 1934, o embaixador Eduardo de Campos Salles desde cedo tem a camisa rubra como primeira pele e o terno diplomático como segunda. Com 25 anos, já ingressava no Instituto Rio Branco, começando assim sua longa carreira nas relações internacionais. Mesmo longe do Brasil, não deixava de acompanhar seu querido América.

Kuala Lumpur, Belgrado, Oslo, Auckland foram algumas das cidades onde trabalhou. Mas é em Mesquita que o embaixador se sente em casa. Com a aposentadoria, em 2008, veio a oportunidade de viver intensamente sua única paixão como colunista do America Na Rede.

Coluna do Embaixador – XXXVI

Publicado por: Edu Campos Salles | Categoria: Crônica | em: 09-03-2010

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Quase um GRE-NAL

O relógio marcava 16:27h quando pisei no início da Rua Bariri. Devidamente vestido com uma camisa retrô do América, infelizmente sem a companhia habitual dos meus filhos e netos. Passando por um grupo de jovens, de alguma facção do Olaria, escutei gracinhas de todo o tipo. A coragem vem em bandos. “Vovô, hoje o clima vai ser de Gre-nal”, foi a frase que pesquei no ar e que achei mais interessante. Com certeza o jovem que cunhou essa bela pérola não conhece as histórias de confronto entre Olaria e América. Ou talvez saiba e queira mudar isso.

Se no Sul, Internacional e Grêmio são forças equivalentes e intimamente ligadas, as versões cariocas, segundo o jovem da Bariri, precisaram se encontrar numa Série B estadual para aflorar alguma coisa, que muitos acham que seja rivalidade. A rivalidade aqui seria desleal. Como sempre, seria o América contra um time e mais uma facção de árbitros, sempre com intenções dignas da política nacional. O segundo tempo mais longo da minha vida. E olha que acompanho o futebol desde a época em que o América ganhava um ano sim, outro não…

O time parece que ouviu a frase lançada ao ar. Entrou com uma disposição que ainda não tinha visto nesse Cariocão. Digno de Gre-nal. As emoções também. Gols perdidos aos tantos que só servem para exercitar o coração. Até que… Dance Paty, dance. Claudemir entrava na dança e marcava um gol quase que inacreditável, pelo menos do ângulo onde este velho estava. Digno de Gre-nal. O susto de Ciro. O jogaço de Mael. A bela atuação de Adriano. Os gols perdidos de Jones. O chute que Roberto deu na insegurança. As substituições certas de Gabriel. Morteiros de um lado, chuva de papel higiênico do outro. Se o Olaria vencesse, seria algo épico. Para o América, o jogo foi mais uma vitória contra a escuridão esportiva. Escuridão que nos brindou segundos depois do longo segundo tempo terminar. Escadas, escuridão, idosos. Digno dos bueiros.

Não é assim que nasce uma rivalidade. Para mim, antes de nascer, já está sepultada. Me desculpem os torcedores do Olaria, mas nunca seremos rivais. E nesse Gre-Nal, deu América.

Parabéns aos bravos do América. E o Olaria finalmente perdeu para um time grande.

Nascido em 1934, o embaixador Eduardo de Campos Salles desde cedo tem a camisa rubra como primeira pele e o terno diplomático como segunda. Com 25 anos, já ingressava no Instituto Rio Branco, começando assim sua longa carreira nas relações internacionais. Mesmo longe do Brasil, não deixava de acompanhar seu querido América.

Kuala Lumpur, Belgrado, Oslo, Auckland foram algumas das cidades onde trabalhou. Mas é em Mesquita que o embaixador se sente em casa. Com a aposentadoria, em 2008, veio a oportunidade de viver intensamente sua única paixão como colunista do America Na Rede.